quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Explicação da Natureza
E eu era como uma árvore e em minha seivacorria a música primordial das estaçõese eu estendia ramos como braços para aninhartodos os pássaros do céu e minhas raízesprocuravam o coração pulsante da terra comoquem se lança a um mar desconhecidoEm meu tronco a seiva fervilhava como lavaporque eu buscava o movimento vertical dos astrose em minha copa não havia folhaque não se agitasse com a emoção de sorrirà primavera e de tombar com o outonoE eu era como um rio de calmas águase as minhas margens campos férteis e o meu caudalcontinha em si o mistério das cheiase a melodia dos peixes inúmeros e todas as folhasque sossegadamente se tombavamAo anoitecer todos os astros refulgiam em meu leitoe com a luz prateada da lua e com o sussurroondulante da brisa eu me deixava conduziraté me perder no marE eu era como uma nuvem e não sabiase havia de chover sobre os homens

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